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Vida Louca


Eu tenho, ultimamente, parado muito para analisar minha vida, e devo confessar, os resultados são muito preocupantes. Se eu pudesse defini-la em uma palavra, esta seria: TEIMOSA.
Minha vida é tipo aquele adolescente insuportável, que é uma criança dependente dos pais, quando precisa de algo, mas quer ser tratado como um adulto, não recebendo ordens, conselhos nem nada do tipo, quando está tudo bem e não precisa de nada.
E falo com propriedades, pois eu já fui assim.
As coisas acontecem mais ou menos dessa maneira: Quando eu quero que tudo se resolva sozinho, a minha vida se fecha, cruza os braços e faz bico, agora quando eu quero tomar as rédeas da situação e fazer as coisas funcionarem do meu jeito, a minha vida se tranca em seu quarto, e toda vez que eu bato na porta, ela grita lá de dentro pra eu sair fora e que não precisa de mim.
Não que eu queira que a vida seja fácil e perfeita, longe disso, até porque o pior sedentário é o sedentário psicológico, aquele que não exercita a sua mente, nem o seu espírito.
Mas poderia ser mais fácil.
Sabe aquilo de que no final a gente acaba rindo de tudo?
Pois é, não vai rolar não, eu precisaria ser muito sádico pra tal ato.
Mas a vida é sádica, disso tenho certeza.
Se a vida tivesse um corpo físico, ela além de torturar, depois de tudo faria um show de stand-up comedy, pra que outras pudessem rir também da nossa desgraça.
Acho que quem mais chegou perto de definir a vida em apenas uma palavra, foi a primeira pessoa que a chamou de bandida.
E o pior é que ela se encaixa em todas classificações de criminosos que existe.
Ela é habitual.
Logo cedo faz algo que te ferra, gosta da sensação, e então sempre que pode, repete a dose, como se precisasse disso, como se lhe fosse essencial.
Ela é impetuosa.
Não resiste aos impulsos, qualquer coisinha pode se tornar um gatilho, e quando você menos espera, ela está lá, te ferrando novamente.
Ela é ocasional.
Ela sabe identificar os momentos mais propícios para te causar danos, àqueles aos quais você não conseguirá se sobressair tão facilmente.
Ela é sociopata.
Apesar de você se importar com ela, ela não se importa nenhum pouco com você, ela consegue ser egocêntrica, antsocial, não ligando para o que ninguém acha ou sente, mas é capaz de fingir o contrário, só pra te manipular.
Mas a verdade é que acho que o Mano Brow foi ainda mais feliz ao descrevê-la em algumas de suas músicas em apenas duas palavras, sem nem perceber o quanto o sentido literal era real, porque amigos, a vida é louca mesmo. Completamente sem noção.
A vida é aquela criança chata que, no corredor do mercado, quer pôr tudo quanto é besteira dentro do carrinho de compras, e quando a mãe diz não, começa a berrar deitada no chão enquanto esperneia.
Você vai querer cuidar dela, fazer ela se desenvolver forte e saudável, alimentando ela corretamente, agasalhando ela, cuidando dos seus ferimentos, e tudo que for necessário, mas no outro dia ela vai fazer tudo igual, e vai cruzar os braços e fazer o mesmo bico de birra quando você tentar impedir.
A verdade é que não somos apenas nós que aprendemos apanhando, a vida também precisa levar uns tombos de vez em quando, e até mesmo uma palmadas eventuais.
Porque sim, na minha mente meio louca, não me escapa a ideia de que a vida tem vida própria.
Teimosa.
Manhosa.
Temperamental.
Sádica.
Louca.
Sensível.
Egocêntrica.
Impulsiva.
Falta-me adjetivos para classificar essa minha companheira traiçoeira. Muitas vezes amiga, chorando os pesares comigo no balcão de um bar, outras vezes inimiga, me apunhalando pelas costas. Necessária e indispensável, incorrigível e incontrolável. Tempestuosa e pacifista, crítica e contida, firme e indecisa…
A verdade é que somos tão parecidos em nossas confusões e indecisões, que nem sei se mereço tratá-la com tanta individualidade, porque no final acho que somos mesmo apenas um só. Farinha do mesmo saco, compartilhando a mesma camisa de força nesse hospício chamado mundo.

Gill Nascimento

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