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Desabafando com um Amigo...



Sabe aqueles momentos em que a gente está com tanta merda na cabeça, que tudo que a gente quer é esvaziar um pouco, só pra ver se melhora? Como se tivéssemos um botão de descarga pra mente? Quem dera!
Eu passei por isso um dia desses, a minha cabeça estava tão cheia, que se pousasse um piolho nela, eu perderia o equilíbrio.
O engraçado é que, nessas horas, tudo que a gente quer é não pensar nos problemas, mas se aparecer uma pessoa disposta a ouvir, a gente descarrega tudo em cima dela. Nessas horas é sempre bom ter amigos que não ligam (ou ao menos fingem bem) em emprestar seus ouvidos.
E na maioria das vezes nem queremos ouvir conselhos, ou dicas de possíveis soluções, queremos apenas soltar o verbo mesmo, reclamar da vida, desabafar, sem que seja pra nossa própria mente, ou para as paredes.
Geralmente quando alguém nos pergunta se estamos bem, independentemente da situação ruim que estejamos passando, sempre dizemos sim, que estamos bem, nessa hora é que identificamos o amigo ou amiga que é o ideal e em quem confiamos para contar nossas desventuras, pois é aquele ou aquela que a gente sempre fala a verdade, quando perguntam como estamos.
Não foi diferente comigo, quando estava com a mente pesada, um amigo me ligou e perguntou se eu estava legal, e logo eu disse que não estava, e como sou um cara que geralmente não me deixo afetar, quando me afeto, o pessoal logo sabe que a coisa está feia de verdade.
O problema é que o divã dos meus amigos, e até amigas, que gostam de embarcar na área da psicologia, fica sempre no bar mais próximo. E dessa vez não foi diferente, fui convidado por ele para tomar umas e desabafar pra ver se ajudava.
Eu não podia fazer uma desfeita dessas, então fui.
Fomos num bar em Itapecerica da Serra, pois esse amigo mora próximo, um bar bem aconchegante, num estilo americano, com sofás em forma de 'U’ em volta de algumas das mesas. E foi num desses no qual nos aconchegamos.
Depois de umas duas (ou dez, sei lá) doses, comecei a contar o que estava havendo, e o mais legal, por incentivo dele, que lembrou o motivo daquela reunião.
O bom de confiarmos no(a) ouvinte, é que a gente não poupa nenhum detalhe, falamos tudo, os problemas, no que eles incomodam, como estamos nos sentindo, no que em nossa vida eles têm afetado e atrapalhado, e eles sempre escutam, sem reclamar.
Sorvi uma grande golada do Whisky que estávamos bebendo, recostei no sofá, inclinei a cabeça, e comecei a contar tudo que estava se passando.
Desabafei, xinguei alguns palavrões, reclamei, e ele apenas ouviu, calado, do jeito que eu esperava que ele fizesse, e do jeito que eu queria mesmo que ele agisse, pois não queria conselhos ou algo do tipo, só queria reclamar mesmo, como disse no início, que acontece na maioria das vezes.
Misturado à bebida, isso me fez um bem danado.
Se todas as pessoas, em momentos assim, recorressem à esse tipo de ajuda, possivelmente não existiria a profissão de terapeuta, porque seria simplesmente desnecessário o uso de tal recurso, e também bem mais caro e menos prazeroso.
No fim, me arrumei novamente no assento, pois já estava quase que deitado, agradeci por ele ter me ouvido, e disse que já até me sentia melhor, e então olhei pra ele que segurava um copo em uma mão e o celular na outra, e ele simplesmente me disse:
“Cara, tem como você voltar do início? Pois perdi boa parte enquanto discutia com a mulher aqui no Whatsapp!”
Essa é a parte ruim de recorrer aos amigos, às vezes, eles não levam muito à sério esse trabalho, então recorrer a uma terapia tem lá suas vantagens.
Da próxima vez vou procurar uma amizade que beba menos e não tenha problemas conjugais.


Gill Nascimento

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