Não olhe para trás...


Estava conversando com uma amiga um dia desses, que recentemente terminou um relacionamento, e ela me contava quais os motivos que achava serem a causa do fim da relação, e eu só pude chegar a uma conclusão: De vez em quando somos muito idiotas.
Ela insistia em adicionar sua parcela de culpa no rompimento, dizendo que se entregou demais, se doou demais, e jamais em dosagens seguras, sempre total, que deveria ter esperado que essa maneira de ser acabasse por estagnar a relação, afinal, com a falta de comedimento, a única coisa que poderia esperar era que as novidades acabassem muito rápido, e que também, acabasse sufocando a outra pessoa.
Eu já fiz isso também, e conheci muitas outras pessoas que fizeram, gostavam de verdade, e depois do fim, tentavam a todo custo aumentar suas porcentagens de culpa pelo final de suas relações.
Hoje em dia vejo que na verdade errei ao tentar amenizar a minha dor aumentando minha culpa, quase que canonizando o outro lado.
Intensidade não é e nunca será um erro, se doar, muito menos, e pode até ser um erro acreditar demais nas pessoas e esperar demais delas, mas o maior erro é sempre da parte que não deu valor àquilo que recebeu.
E quem nunca agiu como minha amiga, que enquanto aumentava sua culpa, diminuía a da outra pessoa?
Hoje em dia até me culpo, mas me culpo por manter em mim aquela inocência que insiste em acreditar que a maioria das pessoas são capazes de, no mínimo, saberem valorizar aquilo que recebem, quando não podem retribuir.
Aumento a minha culpa da maneira correta, sem diminuir a de ninguém.
Olhando pelos dois ângulos, se tiver que escolher, prefiro ser a pessoa inocente, que distribui intensidade e acaba acreditando que seus sentimentos receberão o devido valor, do que ser a pessoa que não sabe reconhecer o que é de verdade, porque é óbvio quem tem mais chances de encontrar algo verdadeiro no final.
Essas pessoas, figurativamente cegas, correm um grande risco de acabar apostando suas fichas naquilo que é errado, ignorando e desacreditando daquilo que é certo, deixando escapar o que é verdadeiro, e enfim quando resolvem valorizar algo, acabam valorizando o que é falso.
Nada é perfeito, e o maior problema hoje em dia é a insistência, é não saber parar enquanto se está ganhando, é não saber deixar pra trás enquanto há possibilidades de boas lembranças ficarem e serem mais fortes que os momentos tristes, acabamos insistindo tanto, que tornamos as situações incômodas, por causa dessa nossa necessidade de se doar demais.
Não entendo esse medo que temos de desistir, ou de perder, sei lá, quando nem dá para perder o que nunca se teve realmente. E por que insistir? Porque se não dá pra perder o que nunca se teve, é mais do que óbvio que é impossível manter aquilo que nunca nem te pertenceu.
É a inocência agindo novamente.
A gente sempre quer acreditar um pouco mais.
Tempos atrás aprendi uma lição importante, de uma pessoa muito sábia, mas nem toda sabedoria do mundo é capaz de transmitir o necessário para que a teoria entre na nossa mente como se fosse na prática, então precisei apanhar para aprender:
“Novas chances para ser feliz só são dadas à pessoas capazes de dizer adeus quando necessário!”



Gill Nascimento

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe sua opinião sobre esse texto!

Casuísmo no Instagram