O Final de ano do homem que mora só!


A vida nunca é como a gente pensava que seria, nem como a gente gostaria que fosse, isso todos nós, limitados financeiramente, podemos afirmar com certeza.
Se existe uma classe de pessoa que pode falar com propriedade sobre esse assunto, essa classe é a do homem que mora sozinho, e olha que legal, faço parte dessa turma.
Existem três fases na vida do homem que mora sozinho: a fase dos planos, onde imagina como serão as mil e uma maravilhas dessa tal liberdade; a fase da realidade, quando ele cai na real e percebe que é quase impossível por os planos em prática, e descobre como é de verdade o fator morar sozinho; e por último, a fase do retorno, que é aquela em que o cara saiu da casa dos pais e foi morar sozinho, então se casou e perdeu esse privilégio, e então se separou e recuperou ele novamente.
Poderia escrever um livro só fazendo piadas sobre como são as diferenças entre o modo de viver de nós homens nessas três fases, afinal, já passei por todas e estou atualmente na terceira fase. Mas hoje vou falar sobre como é o final de ano para nós homens em cada uma dessas fases da nossa vida.
O homem quando está no início da libertadora vida de solteiro que mora só, ainda pensando que todos os planos feitos podem ser concluídos com sucesso, também planeja meticulosamente seu primeiro final de ano fora do ninho dos pais.
Acho que essa é a diferença entre um homem que recém se libertou, e um que já possui certa experiência nessa área, o novato faz mil e um planos, e só, o expediente faz no máximo meia dúzia, aí então faz as contas, pra ver o quanto de dinheiro será necessário, e então ele faz uma triagem nessa meia dúzia de planos, e acaba no final executando dois, no máximo três.
Mas voltando…
O natal “na mente” do novato será o melhor de todos, aquela festa pra ficar na história, onde todos os amigos estarão presentes, todos mesmo, e claro, uma média de três mulheres para cada homem, e parentes não serão convidados. Ele imagina aquela festa onde os amigos ajudarão trazendo bebidas, e as amigas ajudarão trazendo mais amigas.
No final pode até acontecer, mas não do jeito que ele imaginava, ou pode acontecer da maioria furar, porque resolveram passar com suas famílias, enquanto ele desprezou a sua própria.
Eu tive esse meu final de ano também, planejei uma festa histórica, e quando acordei à tarde no dia seguinte à festa, com uma ressaca de fazer não o mundo, mas o universo todo girar, pensei que tinha saído tudo como o planejado, até eu sair do quarto e ver o apartamento quase destruído, e ouvir dos meus amigos como foi realmente, porque metade eu havia esquecido, e a outra metade o álcool havia distorcido as lembranças.
Nunca mais dei festas do mesmo tipo.
Já para o homem que já caiu na realidade de como realmente é morar sozinho, das duas uma, ou ele sai e vai para a festa de algum novato encher a cara, sem precisar se preocupar com nada mais que si próprio e como vai voltar para casa depois, ou ele vai para a casa dos pais, essa é a opção geralmente mais escolhida, porque a essa altura a comida da mamãe já faz uma falta gigantesca, e ele não perderia o banquete de réveillon por nada.
Meu primeiro final de ano que considero ter passado, morando sozinho e já experiente no assunto, foi exatamente dessa maneira, e eu não pensei duas vezes na hora de correr e ir comer da comida da minha mãe, até mesmo aquela típica salada de maionese que eu sempre critiquei. E critico até hoje.
Agora o final de ano do cara que retornou à vida de solitário é diferente, ainda mais se for como no meu caso, que já sou pai, se dependesse de mim eu ainda seria apenas o cara da segunda fase, e correria pra casa da minha mãe, pra comer até passar mal.
Se o homem retorna a vida de solitário, depois do término de um casamento, sem ter filhos, praticamente, retorna pra segunda fase, mas um pai não, nesse caso a situação muda e muito.
Para um homem separado a situação já muda porque à essa soma de final de ano se acrescenta o Natal, até então ignorado, pois nos dois primeiros casos são iguais, sempre vão para a casa dos pais. Não que seja diferente na terceira fase, mas tem um pequeno porém.
Vejam o meu caso…
Estamos no final de novembro, e já no meio do mês a minha filha veio em casa e tirou da caixa na garagem todos os enfeites de Natal, que se dependesse de mim não existiriam, mas ela ama, então tem que ter, além disso tive que ir comprar uma árvore de Natal também, e quando está com a mãe, ela liga pra saber se eu liguei todas as luzes, da árvore e dos enfeites, mesmo quase tendo um ataque epilético com tantos pisca-piscas, se eu não ligar ela reclama.
Tem também a bendita ceia, eu tenho que ir na da casa da minha mãe, por motivos de “não dispenso a comida da velha”, mas tenho que ir onde minha filha estiver também, porque senão dá briga, e em 6 anos, apenas duas vezes não precisei ir em duas ceias.
Na virada de ano é um pouco ainda mais complicado, a vontade é de dar aquela festa bem legal pra adultos, aquela dos planos de novato, já existe experiência suficiente para tal, mas sempre vem na mente a família e o peso de não convidá-los, e se convidar não seria como nos planos, ainda mais a parte da média de presença feminina. E entra a questão dos filhos também, todo pai vai querer estar com eles, então não rola mesmo. Eu mesmo não conseguiria estar longe da minha pirralha na hora da contagem regressiva para a virada. E se acontecesse, de novo teria briga.
Então no final sempre acaba de estarmos com a família, eu tenho a sorte de me dar super bem com a família da minha ex mulher, e ela com a minha, então sempre passamos juntos mesmo, mas da pena pensar em quem não tem essa sorte.
No final tudo dá certo, o único problema é convencer a minha filha de que está na hora de desmontar a árvore e tirar os enfeites de Natal, e convencer a mim mesmo de que preciso esperar mais um ano pra poder comer panetone todos os dias.


Gill Nascimento

3 comentários:

  1. Achou que estava no American Pie Gill Nascimento? Achou errado!

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    1. Cara, o Gill de 10 anos atrás era doido da cabeça, você não tem ideia!
      kkkkkkkkkkkkkkk

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