O dia em que fui trollado por uma noiva...


Acho interessante a maneira como as coisas acontecem. No sábado fui ao casamento de um casal de amigos meus, e houve um desenrolar interessante de confusões.
Devo confessar antes que a festa estava ótima, boas músicas, um ótimo buffet, e muita bebida, mas eu estava cansado, já havia ido para um samba mais cedo com a minha filha, então não quis dançar, e também não estava com fome.
Tudo começou mais cedo, no Twitter, quando fiz uma piada sobre uma ligação que recebi do meu amigo, o noivo, que me ligou dizendo que precisava urgentemente tomar umas pra relaxar, pois estava muito nervoso, e eu como bom amigo, fiz questão de atender seu pedido, e nem extrapolamos na verdade, com umas duas doses de Whisky ele já se sentiu mais calmo para o grande dia.
Relatei esse fato em alguns tweets, confiante, pois a noiva não tem uma conta, nem mesmo o noivo, e foi mais uma piada mesmo. O problema é que uma amiga que tem um perfil no Twitter, e me segue, viu, e como ela também estava cansada e sem fome, quando os drinks subiram para a mente, ela achou que seria divertido comentar esses tweets na festa.
De início não me preocupei, afinal, dificilmente chegaria aos ouvidos da noiva, quem já se casou sabe, entre comprimentos, fotos e momentos tradicionais, os noivos são os que menos curtem a festa, e também, era uma coisa boba, cada um lida com o nervosismo à sua maneira, e todos os noivos que conheci, inclusive eu mesmo, não estavam completamente sóbrios ao pronunciarem seus votos. O que não diminui a sinceridade do ato.
De fato como imaginei, isso não foi um problema, chegou ao ouvido da noiva sim, graças a um sistema antigo, porém muito eficiente de disseminação de informações, chamado de “Tias Fofoqueiras”, mas a minha amiga achou até legal saber que seu marido também estava nervoso, afinal era o momento mais importante de suas vidas.
Entrou então em cena a eficiência feminina.
Entre fotos, filmagens, cumprimentos dos familiares, cortar o bolo, jogar o buquê e outros clichês de tal evento, a noiva arrumou um tempinho para brigar com o cara que levou o marido dela para o bar: Eu.
Ouvi poucas e boas durante longos 10 minutos, tanto que nem consegui justificar o fato, e além do mais, era a noiva que estava falando, a dona do pedaço, o dia era dela.
Quando terminou, acho que já se sentindo satisfeita, colocou as mãos na cintura, e fez a típica pose inquisidora feminina e me perguntou se eu não tinha nada a dizer. Fiz o que me cabia, pedi desculpas e disse que ela estava certa, e que eu como amigo deveria ter tentado acalmar seu marido com palavras, não com um scotch puro malte de 8 anos.
Enquanto isso na minha cabeça eu tentava entender o que estava acontecendo, amigos a mais de 10 anos, era de se esperar que conhecendo bem à mim, e a minha turma, que inclui seu próprio marido, ela não se surpreendesse com algo do tipo, na verdade, não esperava nem que ela se incomodasse.
E então ela começou a rir, mas não era uma risadinha contida, eram gargalhadas, tantas que chegou um momento em que seus olhos lacrimejaram o bastante para quase lhe borrar a maquiagem. E então, ainda entre risos, ela me disse:
“Desculpe, estava só treinando para de vez em quando ser a esposa chata, nossa, até soa legal usar essa palavra, esposa, ainda mais seguida da palavra chata, cara, você tinha que ver sua cara, foi impagável, adoraria ter filmado tudo isso. Você me deve umas doses de Whisky, filho da mãe, eu também precisava, mas tive que aguentar minha mãe tentando me acalmar entre as crises de choro que ela tinha de cinco em cinco minutos, toda vez que dizia que eu estava muito linda.”
Conclusão: Fui trollado, e muito bem, por uma noiva. Meu amigo está de parabéns, prevejo um casamento feliz e muito divertido.



Gill Nascimento

Um comentário:

  1. Podia ter levado uma dose pra ela também né? Não custava nadinha.

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