Pais frescos na roda de amigos!


Um dia desses assisti um show de stand-up comedy do Nando Viana, e ele falou sobre um tema que me fez rir muito, ele fez piadas maravilhosas sobre como é quando nossos amigos começam todos a se tornar pais, e a gente começa a se sentir deslocado por ser o único a não ser.
Eu, hoje em dia, como sabem, sou, e um muito orgulhoso e babão pai, mas não fui o primeiro da minha turma a me deparar com a paternidade, então entendi por ambos os lados o show.
No começo, quando três amigos meus foram os primeiros da minha turma a se tornarem pais, todos no mesmo ano de 2007, senti o lado do Nando Viana na história, as conversas na mesa de bar com esses amigos, além de terem se tornado mais raras, mudaram completamente.
A gente até tentava conversar sobre as mesmas coisas de sempre, mas nesse caso quem ficava deslocado eram os pais frescos da mesa. Era normal ouvir deles um “Tô por fora do assunto, quando tento assistir televisão, acabo dormindo de cansaço!”.
Outra coisa que era bem comum, era como conseguiam fazer o assunto desviar sempre para as crianças, não importa qual fosse, futebol, política, trabalho, mulheres, tudo acabava em como era ser pai, e a vida com um bebê em casa.
E sempre tem a carência dos amigos também, éramos uma turma unida, sete amigos que sempre estavam juntos, e de repente se tornaram quatro, porque três de nós ou não tinham tempo ou não tinham disposição.
Levei um tempo pra entender o lado desses três amigos meus, quase dois anos, quando no começo de 2009 nasceu a Areta e entendi completamente pelo que eles passaram.
No show do Nando Viana, o fato que ele mais abordava, era como ele não entendia nada do que seus amigos falavam nas conversas, parecia até outro idioma, e é verdade.
Nós quando nos tornamos pais pela primeira vez (e pela segunda, terceira, quarta…), só sabemos falar disso, porque é um verdadeiro conviver antagônico, a gente odeia e ama cada segundo, a gente quer morrer de raiva com o cansaço e o trabalho extra, e quer morrer de felicidade, porque alguns instantes são tão perfeitos que seria até legal se fosse o último.
Não tem como falar de outra coisa, sinceramente, porque o fato nos envolve e nos consome, e nos transforma. Eu mesmo costumo dizer que antes eu era o Gill, e desde 2009 me tornei o pai da Areta.
Mas vocês que lêem o que escrevo já estão cientes disso, de tão normal que é eu citar a minha filha em minhas crônicas.
E se engana quem pensa que isso passa, suaviza, mas continua, os papos na mesa de bar nunca mais serão os mesmos, a única coisa que vai acontecer é que vai chegar uma hora em que todos falarão o mesmo idioma, como no caso da minha galera, que hoje em dia são todos orgulhosos e babões pais.
Cada novo ano é uma nova fase, e cada fase uma novidade, e cada novidade a gente não vê a hora de compartilhar.
Lembro que uma vez fui passar o dia na casa de um dos meus três amigos que foram os primeiros a se tornarem pais, o Rodrigo, sou inclusive padrinho da Laisla, a primeira filha dele, hoje com 9 anos. E nesse dia em que passei na casa dele, chegou uma hora em que eu, sempre solícito, ajudando a cuidar da pequena Laisla, fui obrigado a comentar que entendia agora o porquê de ele falar tanto da nova vida de pai, pois era um barato e que aquela coisinha pequenina era uma fofura até cagando.
Essas crianças vão crescendo, as novidades vão vindo, cada nova situação nos surpreendendo, nós pais achamos tão incrível que, na nossa mente, todas as pessoas com quem dividirmos as histórias, também acharão, mesmo não sabendo como é ter filhos.
Eu agora estou vivendo uma fase bem legal, pra qual já estava até preparado, pois passei com a minha irmã, e três das minhas afilhadas. Minha filha, com sete anos, está vivendo a fase da dupla personalidade, em umas horas quer ser uma mocinha e tratada tal qual, em outras horas quer ser a princesinha da família e bajulada como uma, por sorte sei identificar o momento em que ela está. Devo confessar, são pérolas atrás de pérolas, que sempre não vejo a hora de me reunir com a rapaziada pra poder contar, estou até preparando o terceiro texto de pérolas dela.
Mas deixo uma aqui antes de terminar.
No domingo, minha filha foi acampar com uma turma de crianças do Clube do qual sou sócio, e até brinquei no Twitter com o fato, porque eu quem fui levá-la para pegar o ônibus com as outras crianças, e no meio de tantos pais e mães, alguns estavam preocupados, pois seria a primeira vez que suas crias passariam um tempo longe deles, e no meio de todos um se destacava, beirando o desespero. Mas os outros pais conseguiram me acalmar.
No domingo, minha namorada chegou aqui em casa com a minha irmã, e disseram que só vieram porque estavam cumprindo ordens da Areta, que pediu que elas ficassem de olho em mim, pra eu não aprontar enquanto ela está fora acampando.
Nem parece que nessa relação eu sou o adulto né?
Mas diante de coisinhas como essa é que nós pais justificamos a mudança radical de comportamento, porque convenhamos, não dá para esquecer sequer um segundo desses presentes que Deus nos dá.



Gill Nascimento

Um comentário:

  1. Eu vi esse tweet seu. Acho que eu nunca ri tanto. Pai eu não sou ainda mas a verdade é que os filhos mudam a vida do homem. Não sei se eu já disse mas eu tenho 5 sobrinhos. Fico babando no mais novo de dois anos.

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