Vencendo pelo cansaço...


A gente pensa na vida quando ela está confusa, esquecemos de prestar atenção nela quando está boa, e estragamos ela quando estamos entediados, questionando o que não deveria ser questionado, mexendo no que está quieto e bem, e ignorando o ditado de que time que está ganhando não se modifica.
Todos fazemos isso, mas algumas mulheres são profissionais nesse quesito, ainda mais quando são namoradas de algum infeliz coitado que é obrigado a lidar com esses questionamentos.
Claro que não estou generalizando, longe disso, assim como muitas mulheres não são assim, muitos homens podem vir à ser.
A diferença é que mulheres não temem essas questões, já nós homens não sabemos como responder, não sabemos o que dizer, e dependendo da pergunta, a gente até pensa que morrer não deve ser tão ruim assim.
A pergunta em questão que aterroriza qualquer um, começa sempre com a frase “Você me amaria se…”.
Tenho vários amigos que já passaram por essa experiência, e eu sempre zombava por isso nunca ter acontecido comigo, mas vejam só como o jogo vira, já perdi as contas de quantas vezes tive que lidar com essa situação no meu relacionamento atual.
Confesso, realmente é uma situação chata, porque sempre parece que a pergunta é uma pegadinha e que não existe resposta certa, mas a gente está lidando com uma mulher, e quando o sexo feminino faz uma pergunta, uma resposta precisa ser dada, senão a encrenca é ainda maior que a resposta errada.
Um dia desses eu estava numa boa, trabalhando em casa, completamente absorto e concentrado no que fazia, enquanto minha namorada assistia TV, quando do nada ela desligou a televisão e soltou um harmônico “Amooooor!”, com a entonação típica de quem quer algo, seja dinheiro, seja tirar uma dúvida. Conheço bem, minha irmã e minha filha usam muito esse tom comigo. Na hora pensei “Lá vem!”, e então ela soltou:
“- Amor, você me amaria se eu fosse feia?”
Eu sou o tipo de pessoa que não foge da raia, mas quando o bicho pega e a derrota é certa, sempre arrumo um jeito de sair pela tangente, no caso de uma pergunta que pode ser pegadinha, e não responder pode ser pior, a melhor saída é responder com outra pergunta. Então respondi questionando:
“- Então você tem auto estima suficiente para se achar linda, mas não auto estima suficiente para confiar seu taco à sua personalidade? É isso? Esperava mais de você, você sabe que é incrível!”
Consegui o impensável com isso, deixei ela sem resposta, e já estava começando a me achar, quando ela resolve colocar a mesma questão de outra forma:
“- E se eu fosse gorda? Você me amaria se eu fosse gorda?”
Nesse momento já estava rolando um filme na minha cabeça, onde eu recapitulava cada merda que fiz na vida, e que ainda não havia recebido o castigo referente, pra saber pelo que eu estava pagando naquele momento. Repeti a técnica anterior:
“- E por acaso você já viu japonesa gorda? Porque eu nunca vi. Duas coisas que nunca vi foram japonesa gorda e enterro de anão!”
Nessa venci pelo humor, ela deu uma risadinha e concluiu que provavelmente eu estava certo. Mas claro que as coisas não seriam fáceis assim. Ela então surgiu com uma terceira forma de fazer a mesma pergunta:
“- Mas e se eu não fosse de descendência japonesa, fosse feia, gorda, e minha personalidade fosse completamente diferente, você me amaria?”
Sabe aquela reza básica em que a gente pede paciência pra Deus, porque se ele der forças ou coragem a gente pode acabar fazendo uma cagada?
Bem, sorte minha que ele havia me dado paciência, porque se tivesse me dado coragem, eu teria me matado, e por sorte de bônus também me veio um pouco de inspiração, pensei comigo “Vou confundir a cabeça dessa Japa que ela vai bugar geral!”. Então respondi:
“- Se você não fosse você, óbvio que não estaria com você, mas sim com a pessoa que fosse você, então tecnicamente não amaria você, mas amaria aquela pessoa que você fosse!”
A boca dela após essa resposta ficou meio aberta, a parte superior direita do lábio entortou pra cima, os olhos me fitaram, mas ao mesmo tempo não fitavam nada, e pra completar aquela cena cômica só faltou mesmo uma coçadinha confusa na cabeça.
Depois de ponderar bastante sobre a resposta, e aparentemente entendê-la, ela olhou pra mim com uma cara de brava e disse:
“- Nossa, às vezes, não dá pra conversar com você, uma pergunta tão simples e você fica fugindo da resposta, parece até que tem medo de dizer a verdade!”
Aquele comentário foi um chute na virilha, não podia deixar barato, se eu já havia deixado ela confusa, agora era a vez de me vingar, peguei um papel e escrevi nele a resposta para a primeira pergunta que ela me fez, dobrei e coloquei no bolso da minha camisa, então olhei pra ela disse:
“- Bem, esse papel que acabo de colocar no bolso contém a resposta para a sua pergunta original, a primeira, mas antes de te entregar, me diz, qual seria a resposta certa para aquela pergunta? A resposta que te dei primeiramente, mesmo que te questionando foi basicamente um sim, quando afirmei que me foco na pessoa que você é por dentro, na sua personalidade, ainda assim não ficou satisfeita. Se eu dissesse não eu seria um fútil que gosta de aparência, se eu dissesse apenas sim, seria um fácil que pega qualquer uma, se eu não respondo estou escondendo algo. Me diz aí, qual seria a resposta certa?”
A cara de brava nessa hora deu lugar à uma feição de desconfiada, mais uma vez ponderou bastante sobre o que eu disse, e no final me olhou com uma expressão de derrotada e completou:
“- Quer saber? Deixa pra lá!”
Aceitei de bom grado a vitória, subi e fui tomar um banho, liguei o chuveiro mas não entrei, fiquei espiando ela entrar no quarto e ir direto na camisa que eu havia acabado de tirar, pegar o papel que eu tinha colocado no bolso, desdobrá-lo, ler o que havia escrito e então gritar:
“- SEU IDIOTA!”
Nele eu havia escrito: “Sabia que você ia deixar pra lá!”





Gill Nascimento

Um comentário:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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