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Assistindo filme de terror com a mulher...


Assistindo filme de terror com a mulher...

Muito recentemente descobri que ou sou muito difícil de agradar, ou muito medroso mesmo, e estou declinado a acreditar que a segunda opção é a mais provável.
A democracia na minha casa ultimamente é algo fundamental, já que não sou mais um lobo solitário, tendo minha filha e minha noiva morando comigo, e no último final de semana a democracia foi exercitada quando decidimos ficar em casa e fazer uma maratona de filmes. No domingo minha filha escolheu os filmes, o que não tenho nada contra, me divirto com as animações que ela geralmente escolhe, no sábado foi o meu dia, e eu escolhi os filmes que as duas subliminarmente sugeriram que eram os que eu queria assistir, mas o problema mesmo foi na sexta, dia em que minha noiva escolheu os filmes, e ela simplesmente ama filmes de terror, e eu não gosto muito desse gênero.
E não foram quaisquer filmes de terror, ela escolheu os filmes “Atividade Paranormal”, quando estávamos no terceiro, eu já queria estar dentro do filme para que a Katie quebrasse meu pescoço e acabasse a tortura, pois já não aguentava mais fingir que estava ajeitando minha bunda no sofá toda vez que me assustava e acabava dando meio que um pulinho involuntário.
Quem já assistiu sabe como as coisas funcionam (não só nesse, mas também na maioria dos filmes de terror), a casa fazendo barulhos estranhos, as coisas se mexendo sozinhas, sombras escorregando pela casa, crianças sinistras, animais olhando para o vazio, velhas com olhos aterrorizantes, e todo um aparato de cenas cuidadosamente preparadas para abalar o seu estado psicológico quando levantar de madrugada para ir ao banheiro.
Mas como eu disse no início, talvez eu não seja uma pessoa exigente, talvez eu seja apenas um grande medroso mesmo.
Mas vamos aos fatos.
Pra começar eu não consigo imaginar no mundo uma pessoa que tem um demônio atormentando o seu lar e que ao invés de correr para o mais longe possível sem olhar para trás e se benzendo, fica, e além disso espalha câmeras por toda casa, como se ao vivo não fosse o bastante, e precisasse de um vale a pena ver de novo.
O primeiro filme é o mais surreal de todos, o cara junta os panos de bunda com uma mulher tenebrosa, que vem com o capiroto de tiracolo, as coisas começam a acontecer, ele ainda confere tudo depois nos vídeos gravados, ainda assim continua com a maluca. Se eu coloco uma câmera no meu quarto e depois assistindo vejo a Japa parada em pé por mais de duas horas me olhando sem se mexer, eu nem pego minhas coisas antes de ir embora, só saio correndo e clamando o nome de Jesus. A Ayla só gosta de filmes de terror, ela nem é tão macabra assim, e eu já estou pensando em ir passar uns dias na casa da minha mãe.
O segundo é onde eles começam a apelar, pois tem um bebê sendo perseguido pelo inimigo e um cachorro que fica sempre do lado desse bebê, e em qualquer filme eu tenho uma opinião, pode matar quantos adultos forem, não importa a forma da morte, mas não machuquem os bebês nem os animaizinhos de estimação, porque aí sim é maldade demais. Quando machucaram a cachorra Hebe no filme a minha revolta foi ao nível máximo e na hora resolvi parar de assistir, mas a Japa achou que fosse só uma desculpa para fugir dos filmes de terror e me proibiu (e na verdade era só uma desculpa mesmo, uma droga não ter funcionado).
No terceiro a apelação continua, pois agora ao invés de uma criança perseguida pelo traiçoeiro, a criança é amiga do maldito, e acaba ficando medonha, e quando chega nesse nível eu já estou passando vergonha com meu incômodo (pra não dizer que é medo) sendo bem evidente.
Já perceberam como nesses casos crianças são piores que os adultos? Porque elas nunca se ferram sozinhas, sempre acabam levando alguma amiguinha junto.
O quarto filme eleva o nível de apelação um pouco, pois o filme não começa com uma criança normal ficando maléfica aos poucos, já começa com uma criança maléfica querendo arrumar um amiguinho e deixá-lo maléfico também, pensa num moleque maligno.
O quinto já é mais tranquilo, pois é meio que um paralelo pra gente entender bem a origem do mal e das velhas perversas que aparecem nos dois filmes anteriores, mas não muda o jeito, o mal acontecendo por todos os lados, mas as vítimas não largam as câmeras, parece até que quem dirigiu esses filmes foi o Boninho, e que a qualquer momento o Pedro Bial pode aparecer para fazer as considerações finais.
Já o sexto e último filme, volta tudo de novo, crianças esquisitas e macabras, as velhas sinistras, os barulhos pela casa, os objetos se movendo sozinhos, o capiroto começa a tomar forma e um personagem idiota que não larga a bendita da câmera. E no final o (como diria minha mãe) pernicioso consegue um corpo físico, e fica aquela impressão de que vai ter um sétimo filme que com certeza se chamará “Atividade Paranormal, O Apocalipse”, mas eu espero que seja só impressão mesmo, se até agora não teve, acho que não terá mais, e que assim seja, amém, em nome de Cristo.
Mas enquanto a gente está assistindo até que está de boa, o terror se limita à TV, é algo fictício, o problema mesmo é quando o filme acaba, a mulher dorme, a casa está escura, te bate aquela sede e a garrafinha de água que geralmente você deixa do lado da cama já esvaziou, é nessa hora que o bicho pega.
Aconteceu exatamente isso comigo e eram 4 horas da madrugada.
A Japonesa do outro lado da cama ronronando como se tivesse acabado de assistir um filme de anjos que faziam o bem e saíam pelo mundo abençoando as pessoas, e eu com a boca seca parecendo que andei lambendo o deserto do Saara, procurei a garrafinha dela, mas estava vazia, então me enchi de coragem e levantei.
Vocês já perceberam como a gente nunca acha o interruptor das lâmpadas quando a gente mais precisa?
Eu percebi isso junto com o quanto minha casa é escura de madrugada.
É nesses poucos segundos no escuro, antes de achar o interruptor, que as sombras projetadas pela luz da lua através das janelas começam a ganhar forma, aquele tic-tac do relógio de parede da sala começa a soar como uma melodia agourenta, você começa a cantar músicas evangélicas que você nem lembrava que conhecia a letra, começa a pensar no quanto ama sua mãe e começa a rezar e fazer promessas para Deus. Então você acha o interruptor, acende a luz, vê que está tudo normal e começa a se achar um idiota, mas enquanto aquele cômodo está claro, os outros continuam escuros, e então você começa a achar que está ouvindo algum som estranho e dá por falta dos seus pets, no meu caso duas cachorras que, num momento muito propício resolveram não estar onde geralmente ficam.
Fui descobrir minhas cachorras do lado da cama da minha filha e pensei “Isso mesmo meninas, fiquem com a anjinha da casa, que aquela maiorzinha lá no meu quarto é sinistra!”.
E agora resumindo, como conheço bem a mulher que tenho e sei que essa não foi a última vez que tive uma noite assim, vou aproveitar a Black Friday e providenciar um bebedouro pro meu quarto, já que banheiro já tenho, porque senão vai ficar estranho eu acordando ela de madrugada pedindo pra ir buscar água para mim na cozinha.




Gill Nascimento





Quem sabe vocês também não queiram ler e rir dessas outras histórias...


Invertendo Situações   Vencendo pelo cansaço...   A melhor e mais complexa criação Divina...


2 comentários:

  1. Aff eu também odeio muito esses filmes!

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    1. Eu nem sou medroso, mas sou muito influenciável, quando eu era criança minha mãe sempre dizia que esse tipo de filme me daria pesadelos, nunca acontecia, hoje em dia já não posso dizer o mesmo! kkkkkkkkk

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