Aconteceu no Bar...

Aconteceu no Bar



Uma vez um grande e desconhecido sábio disse: “A felicidade não está tão longe assim, hoje em dia em cada esquina tem um bar!”
E para isso eu digo amém, porque todas as vezes que não estava bem e fui para o bar, a tristeza passou e eu ainda dei boas risadas. Mas diferente dessas vezes em que fui para esse lugar sagrado abatido, essa história que irei contar, eu estava numa boa, só estava cansado e com sede mesmo.
Eu estava em Embu-Guaçu resolvendo uma questão de trabalho, e após a reunião não resisti a tentação de entrar em um bar que ficava na entrada de um sítio e parecia ser muito acolhedor e aconchegante, e foi lá que conheci o protagonista dessa história, chamaremos ele de Jonas.
Se tem uma coisa que odeio ver em um bar é alguém triste, apesar de o bar ser um lugar ideal para afogar as mágoas e as tristezas, se depois da quarta dose a pessoa ainda continuar pra baixo, sinto como se algo estivesse completamente errado, e fico tentado a tentar ajudar de alguma maneira, e modéstia à parte, sou bom nisso, e descarado o bastante para não me sentir envergonhado com ninguém, puxar assunto com as pessoas é uma coisa que tenho muita facilidade em fazer. E não foi diferente dessa vez.
Jonas chegou ao bar depois de mim, e parecia além de triste, frustrado e com raiva, depois da quinta dose quando continuou no mesmo clima, resolvi oferecer uma rodada por minha conta é minha solidariedade, e pra minha sorte ele era o tipo de bêbado que não vê problema algum em desabafar com um estranho.
Mas antes de me contar seu problema, ele fez uma introdução à história.
Segundo ele sua mãe é a mulher mais batalhadora que ele conhece, e pelo que ele me disse, eu acredito. O pai dele faleceu quando ele tinha apenas 6 anos, e trabalhando como doméstica ela sustentou seus irmãos e ele, e ainda foi construindo sua casa aos poucos, e hoje em seu terreno ela construiu um pequeno prédio onde além de sua própria casa, existem outras doze de dois é três cômodos as quais aluga, por um preço justo.
Ele que havia saído de casa há 15 anos quando tinha então 20 anos de idade, para trabalhar e morar em Sorocaba, havia acabado de encerrar um período difícil em sua vida, no qual esteve preso durante 6 meses por não pagar a pensão de sua filha, e agora em liberdade, porém sem emprego e sem mais a casa que alugava antes de tamanho infortúnio, conseguiu um bom emprego com um salário justo na empresa de um amigo da família, e estava de volta à cidade de Embu-Guaçu.
Vinha já ha três meses trabalhando, e havia acabado de ser efetivado na empresa após o encerramento do contrato de experiência.
Aí vocês me perguntam: “Então porque diabos ele estava triste?” Com um bom trabalho e perto da família, ele deveria estar feliz e não pra baixo. E é aqui que a história fica engraçada.
Segundo ele, assim que chegou em casa foi contar as boas novas para sua mãe, que ficou feliz, fez a comida preferida dele para comemorar, e assim que terminaram a sobremesa, ela disse que agora que estava tudo certo e encaminhado, ele deveria começar a pagar aluguel pelos 3 cômodos no qual morava.
E essa foi a parte que estava deixando ele com raiva.
Após ela dizer isso ele tentou, sem sucesso, argumentar e conquistar sua piedade, listando motivos, e justificativas, mas não adiantou, então bancou o filho injustiçado, lembrando que seu irmão mais velho morava em uma das casas, a única de quatro cômodos, não pagava aluguel, foi aí que ela explicou que apenas havia cedido a laje, mas que havia sido ele com seu dinheiro, esforço e suor, que havia construído.
E essa foi a parte que o estava deixando frustrado.
Dito isso ele resolveu mudar de estratégia, pediu que ela permitisse a ele morar em uma das casas sem cobrar aluguel, enquanto também fazia seu próprio puxadinho na laje, e ouviu um não, com a justificativa de que não era mais para subir o prédio, que já possuía 6 andares.
E essa foi a parte que o deixou triste.
Passada algumas horas ele resolveu, após concluir que sabia o motivo pelo qual sua mãe estava sendo tão ruim com ele, falar com ela novamente, e então ele lhe pediu desculpas por ter sido o único filho que a abandonou e foi morar longe,  mas que agora havia voltado pra ficar, e o mais perto possível.
Nisso ela, depois de deixar ele falar tudo que tinha pra falar, olhou pra ele nos olhos e disse: “Você acha que tenho raiva de você porque me abandonou e foi morar em uma cidade longe? Pois é o contrário, é o filho que mais gosto justamente por isso, queria eu que seus irmãos tivessem feito o mesmo, o que acontece é que não conquistei nada sendo boazinha, filho, família é família, mas os negócios são à parte.”
E essa foi a parte que o fez ir para o bar.
Fiz minha parte, ouvi o Jonas, paguei algumas cervejas e algumas doses, e aparentemente fiz um novo amigo, mas isso porque ele não sabe o quanto eu precisei ser forte enquanto ele me contava a história entre lamentos e palavrões, e que após ele sair, eu quase passei mal de tanto rir.



Gill Nascimento








3 comentários:

  1. Não posso rir do Jonas. Me identifiquei. Até eu pagava bebida pra ele.

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkkk minha vó fez algo bem parecido com o meu pai

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