Papo de Bar . . . Na minha época!

Papo de Bar... Na minha época...


Sabe aquele momento que você fala: “Na minha época era diferente…”; e as pessoas dizem: “Como se você fosse tão velho assim…”. Não fica um sentimento bom de que nem somos tão velhos o quanto pensamos ser?
Por outro lado é horrível quando a gente faz esse tipo de comentário e as pessoas não falam nada, apenas concordam, simplesmente bate um vazio, uma sensação de que a qualquer momento estaremos usando bengala e fralda geriátrica.
E foi esse o assunto que uns amigos e eu discutimos na mesa do bar um tempo atrás.
Um desses meus amigos comentou que desconfiava que com 17 anos, o irmão mais novo dele tinha um histórico sexual bem maior que o dele, que tem 40 anos, e perguntou se a gente lembrava como era complicado ser feliz nessa área quando éramos adolescentes, e todos concordamos, é claro.
Não muito tempo atrás estava trabalhando em um evento, e durante uma pausa, meio que involuntariamente escutei a conversa de duas garotas, que aparentavam não ter mais do que 15 anos, e uma delas reclamava que tinha ficado com um garoto que não tinha mãos bobas, mas sim sonsas, que durante todo o tempo em que ficaram juntos as mãos do rapaz não saiu das costas dela, e ela ficou decepcionada pois queria ter tido um pouco mais de “ação” na noite em questão.
Ao comentar isso lembrei de como era na nossa época, nos muros atrás da escola, quando tentávamos dar esse “um pouco mais de ação” ao evento, as mais calmas apenas tiravam a nossa mão e pediam pra gente parar, mais tinha umas mais recatadas que ficavam com tanta raiva que iam embora, às vezes até dando um tapa antes.
Sem contar o tamanho tabu que era a vida sexual na adolescência naquela época, a gente até queria ter, e aposto que muitas garotas também, mas o medo que a maioria tinha de acabar mal falada às impedia, e à nós, garotos, por tabela, também.
Um amigo meu lembrou que certa vez, quando tinha mais ou menos uns 15 anos, ficou com uma garota da mesma idade que deixou ele ver e tocar seus seios, o que naquela época eram chamados de “peitinhos” com propriedade, porque diferente de hoje em dia, garotas de 15 anos com corpão eram casos muito raros e isolados mesmo, e o fato de ela ter deixado ele se aventurar em seu sutiã P, foi o bastante pra ele deixar as revistas pornô do seu pai em paz por pelo menos uns dois meses.
O Renato, o amigo que puxou o assunto, foi ainda mais longe, por ser mais ou menos 6 ou 7 anos mais velho que o restante de nós que estávamos à mesa, comentou que na sua época era ainda mais complicado, grande parte, segundo ele, das garotas de 13 e 14 anos ainda eram crianças, e muitas ainda brincavam de bonecas, e lamentou dizendo que esses garotos de hoje em dia não sabem a sorte que têm, eu como pai de uma menina, odiando por dentro, ainda assim tive que concordar que, na visão de um garoto de mais ou menos 15 anos, ele realmente estava muito certo.
E ficamos ali falando sobre o assunto mais um bom tempo, sempre chegando a conclusão de que demos o azar de termos nascido na época errada, até que aquele amigo — que toda turma tem — que sempre vê o lado bom das coisas, resolveu manifestar o lado positivo na conversa.
Segundo ele podemos ter perdido na questão da ação, mas ganhamos e muito na questão da aventura e adrenalina, e depois de pensarmos no assunto, fomos obrigados a concordar.
Hoje em dia não foi só o desenvolvimento físico dos adolescentes, as atitudes e a vida sexual que mudaram, eles possuem mais liberdade, ambos os gêneros, mais independência, são mais donos de si, ao contrário da maioria da nossa época, que tinha horário pra chegar em casa, e dificilmente passava das 22 horas, que era dependente dos pais em quase tudo, além das regras mais rígidas em geral que existia na maioria das casas. Por conta disso tinha a aventura e a adrenalina que era fazer as coisas escondido e sem permissão.
Tamanha foi a concordância sobre esse fato, que até notamos uma coincidência enorme, todos nós que estávamos ali sentados à mesa, tínhamos na adolescência sido ameaçados por pais, apanhado de irmãos mais velhos de alguma garota, e fomos obrigados a sentar frente a frente com um pai pra pedir a filha dele em namoro, em quanto por dentro queríamos ter saído correndo antes de ter entrado na casa.
Pra quê mais adrenalina e aventura que isso?
No final concordamos que até podemos estar ficando velhos e que também podemos ter nascido na época errada, mas nascemos numa época boa, muito boa.




Gill Nascimento







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5 comentários:

  1. Tenho essa mania de dizer que na minha época as coisas eram diferentes, estou me sentindo velha agora porque percebi que sempre concordam comigo hahahahahaha

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  2. Ótimo, nunca tinha percebido esse detalhe e agora tenho mais um motivo pra me achar velha rsrs

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  3. Não acredito, mas estou na turma das meninas acima, estou ficando velha 😱

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  4. Gente, estou ficando velha então, todo mundo concorda comigo ��

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  5. Toda vez que solto um No meu tempo... Me vejo velhinha numa cadeira de balanço fazendo crochê. Eu passei pro tudo isso. Vivi fases fases boas da vida. Brincava de pega-pega no intervalo da escola até a sétima série. Fui uma criança feliz, uma adolescente aventureira, mas uma boa filha.

    Vidas em Preto e Branco

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