Talento em passar vergonha!

Talento em passar vergonha!



A maioria das pessoas, talvez todas, possuem um talento, algumas possuem vários, e às vezes nem sabe, e eu um dia desses estava pensando em qual seria o meu, e descobri que tenho algumas habilidades, mas talento mesmo tenho apenas um.
Sou um ótimo cantor de banheiro, um bom contador de histórias, arranho no cavaquinho e no violão, mas quando o assunto é passar vergonha eu sou um especialista.
Talento na minha opinião é aquilo que mesmo sem querer, a gente acaba sempre se destacando, e por isso cheguei a conclusão de que sou um fenômeno na arte do auto constrangimento, ao ponto de fazer isso com muito mais constância que a maioria das coisas normais do meu dia a dia.
No meu caso o destaque é ainda maior pelo fato de eu ser muito distraído.
Lembro de uma vez no ano passado, em que passei uma vergonha que ninguém viu, ainda assim fiquei completamente constrangido e me sentindo um imbecil. Eu estava à trabalho em São José dos Campos, interior de São Paulo, e minha assistente tinha ido comigo, durante a reunião que foi particular, ela foi tomar um café, ao fim da reunião fui ao estacionamento, deixei os papéis do contrato e alguns materiais dentro do carro e fui encontrar com ela, tomamos um café e voltamos para o carro para irmos embora. No meio do caminho dei por falta dos papéis e dos matérias que não estavam no carro, dei meia volta no mesmo instante.
Ao chegar no estacionamento do SESC da cidade, antes de ir falar com a segurança fui verificar na vaga para ver se por acaso não tinha caído do carro na hora em que saímos, e por acaso o carro que estava na vaga ao lado da que eu tinha parado, era exatamente igual ao meu, e estava destrancado, e eu tinha colocado os documentos e os materiais dentro dele e não do meu carro. Por sorte não falei com a segurança, a vergonha teria sido muito maior.
Em outra ocasião, eu estava na cafeteria em frente à antiga sala comercial que eu alugava como escritório, e comecei a conversar com um senhor que eu sempre via por lá, mas não conhecia, num determinado momento da conversa comecei a fazer piadas sobre uma história que duas atendentes da cafeteria haviam me contado, referente à um vizinho da cafeteria que certa vez deu uma surra em homem por pensar que ele era o amante da sua namorada, e foi preso por agressão, mas na verdade o homem que ele agrediu era irmão da sua namorada. Só depois da terceira piadinha que havia feito ele me contou que esse vizinho era ele mesmo.
Numa outra vez eu estava na farmácia, e meu irmão, que estava na minha casa, havia pedido pra eu aproveitar e comprar Hipoglós para a minha sobrinha que era recém nascida na época, comprei tudo que tinha para comprar, paguei, e estava indo embora, mas havia esquecido a Hipoglós em cima do balcão da farmácia, estava entrando no meu carro que estava parado do outro lado de uma rua bem movimentada, quando a atendente da farmácia saiu e gritou: “Moço, o Senhor esqueceu sua pomada para assaduras!”. Pode ter sido apenas paranóia da minha parte, mas tenho quase certeza que todo mundo parou para ver e alguns ainda estavam rindo.
E essas foram algumas histórias que se destacam na minha memória, mesmo eu querendo esquecer, contudo ainda tem as pequenas vergonhas normais do dia à dia, que a maioria das pessoas também passa, mas que eu passo com mais frequência, graças ao problema de ser distraído.
Fico triste por ter um talento e ser tão bom nele e infelizmente não existir uma opção sequer de aplicá-lo de forma útil, ou ao menos rentável à minha vida.
Por sorte sou cara de pau o bastante para não me deixar afetar, e ser sempre o primeiro a fazer piadas sobre meus próprios infortúnios, mas que às vezes (lá num fundo, bem oculto do restante do mundo), que dá uma certa vergonha, isso dá.





Gill Nascimento





Logo logo teremos novidade aqui no Blog, e você que está lendo esse texto e acompanha esse Blog que na maioria das vezes não diz nada com nada, pode fazer parte, CLIQUE AQUI para saber mais!





Um comentário:

Deixe sua opinião sobre esse texto!

Casuísmo no Instagram