O Curso da Vida...

O Curso da Vida...



De vez em quando a gente para pra pensar na vida, nas fases que já vivemos, nas fases que pessoas próximas à nós já viveram, e chegamos a conclusão do quanto somos influenciáveis e nos deixamos afetar por tudo a nossa volta, uma quantidade infindável de sensações e emoções pelas quais nos deixamos levar, praticamente desistindo de sermos realmente quem somos, acabamos sendo aquilo que parece que o momento quer que venhamos a ser.
No final sempre acabamos descobrindo que a nossa essência está em nossas raízes, que o nosso eu é feliz perto daquilo e de quem realmente nos completa e se importa de verdade com o nosso bem estar espiritual. E esse é o problema, geralmente só percebemos no final.
O romancista George Moore disse: “Um homem percorre o mundo inteiro em busca daquilo que precisa, e volta a casa para encontrá-lo.”; mesmo tendo aprendido essa citação bem cedo, e também compreendido o que ele queria dizer nessa frase, e acima de tudo buscado ter esse pensamento em mente, ainda assim não consegui evitar ser suscetível às fases e as vibes que o tempo, ao passar, deixa pelo nosso caminho.
Meu avô, que quem lê meus textos sabe que gosto muito de citar, era um homem sem instrução nenhuma, não sabia ler, não frequentou uma escola, era de uma humildade enorme, ainda assim uma das pessoas mais sábias que conheci, presente que vem com a experiência. Certa vez mencionei essa frase para ele e começamos a falar sobre o assunto, sobre o que George Moore queria transmitir, tentamos ir o mais fundo possível na interpretação, e num certo momento ele comentou:
“A criação, vinda ela de Deus ou simplesmente da natureza, em si é perfeita e sempre acaba nos conduzindo àquilo que realmente precisamos, essa frase é perfeita, mas é só parte da verdade, esse desvio de trajetória, em que meio que nos perdemos, é completamente necessário, como se o nosso destino fosse a formação, a conclusão do curso da vida, querer pular essa parte é como querer exercer uma função importante sem ter estudado a teoria e sem ter aprendido na prática, e o principal, sem ter a menor experiência, nada dá muito certo quando a gente resolve pular fases, a vida não é assim, precisamos ser honestos com nós mesmos, porque a gente primeiro aprende a viver, e só depois passa a viver realmente. A vida de verdade, plena, é a recompensa de um trabalho duro.”
Com certeza essa foi uma das lições mais sábias que recebi dele e que trago comigo até hoje.
Com 33 anos e vivendo uma fase muito feliz, quando lembro dessa nossa conversa e da lição que recebi dele no dia, penso se não trapaceei, afinal, parece que cheguei à parte em que vivo, mas não sei se me formei na universidade da vida, se estou pronto para dar conta de manter essa paz e essa felicidade. Sinceramente tenho medo de vacilar com essa responsabilidade.
Mas uma coisa eu aprendi em todos esses anos, aprendi que é mais fácil construir a felicidade do que encontrá-la, aprendi que somos a mão de obra da nossa própria paz, e que ela é uma construção que nunca acaba, todos os dias, cada momento, a gente deve procurar fortalecer os alicerces desse nosso castelo pessoal, guarnecer, edificar, manter, suprir, e se possível, expandir e compartilhar.
Chega um momento nessa nossa evolução que, por mais solitários e auto suficientes que sejamos, precisamos de ajuda na manutenção da nossa própria vida, aquele momento em que a gente descobre que, ao contrário do que dizem, pode até ser possível ser feliz sozinho, mas que a mais pura verdade é que quando compartilhamos sentimentos bons, a matemática se rende ao improvável, e aquilo que era pra se dividir, se multiplica, e é nessa hora que a gente percebe que está pronto, pode até não ser totalmente, mas ao menos o suficiente, para viver.
Deixamos de ser estagiários na nossa própria existência.
Acho que é isso que me aconteceu, acho que adquiri experiência o bastante para ser efetivado, resolvi dividir meus sentimentos e consegui multiplicá-los de uma forma que não esperava. Descobri que quando encontramos nossa equação, sempre que doamos parte de nós para somar, recebemos ela de volta em dobro somada à parte desse alguém que se encaixa perfeitamente na nossa matemática própria, a confusão mais lúcida é com mais sentido que pode existir.
Acho que valeu a pena, enfim, cada lição, cada aprendizado, cada prova, cada aula, cada teoria e cada prática, se estou pronto para viver, não sei, mas estou disposto a tentar, e atento para continuar aprendendo.





Gill Nascimento






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Um comentário:

  1. Que lindo, além de uma linda reflexão é uma bela homenagem, se a Japa lê seu Blog, que besteira minha, óbvio que ela lê, imagino que tenha adorado esse texto ❤

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